Milton Mitidieri resolveu transformar uma experiência negativa em um aplicativo para impedir que outros passassem pelo mesmo problema. Ele foi assaltado por homens que entraram em sua casa fingindo ser de uma empresa provedora de internet. Isso o fez pensar: será que poderíamos usar um app para checar se a companhia realmente tem aqueles funcionários cadastrados? Será que esta mesma ideia poderia ser aplicada em outras situações semelhantes para nos sentirmos mais seguros?

Para responder essas perguntas, Mitidieri procurou a ajuda da Garimpo UX. A solução foi transformar as sacadas do empresário em um protótipo de aplicativo que pudesse ser avaliado no mercado.

O potencial de uso de uma ferramenta digital voltada para a segurança de quem recebe trabalhadores em casa foi sentida quando, depois do assalto, Mitidieri se reuniu com os vizinhos das ruas próximas. Todos estavam preocupados e dispostos a ajudar. Para o empresário, entretanto, faltou um plano de ação mais certeiro. “Fizemos um grupo no whatsapp para nos mantermos informados, e ficou só nisso”, conta.

Tirando a ideia do papel com rodada de Sprint

Para entender se um aplicativo atenderia as necessidades de usuários semelhantes aos vizinhos de Mitidieri, a Garimpo UX percebeu a necessidade de se fazer uma rodada de design sprint.

Sprint é um método criado pelo Google para tirar uma ideia do papel, da maneira mais eficiente possível, em apenas cinco dias. A técnica consiste em um roteiro de ações que deve ser aplicado por um time multidisciplinar totalmente imerso no desenvolvimento da solução. Primeiramente, o problema é mapeado e se escolhe o ponto mais importante a ser resolvido. Ele será o foco da sprint. Em seguida, são esboçadas possíveis respostas. Nos próximos passos, o grupo seleciona as ideias a serem testadas e partem para a construção de um protótipo. O último passo é avaliação deste protótipo em uma situação real de uso.

A técnica da sprint é interessante para que inovações sejam avaliadas sem que a empresa gaste muito tempo e dinheiro. Em caso de necessidade de melhorias, é possível repensar a ideia sem muitos prejuízos.

Era exatamente o que Mitidieri precisava para o seu aplicativo, que ganhou o nome de HelpU.

Sprint começa com a definição do desafio principal

Fernanda de Oliveira, designer e fundadora da Garimpo UX, coordenou a realização da sprint do HelpU. O primeiro passo foi montar o time que participaria da imersão. Neste caso, trabalharam na sprint um designer UX, um desenvolvedor Front e Back End, uma facilitadora, um advogado, uma educadora e o próprio empresário.

O segundo passo foi definir qual seria o desafio a ser resolvido na sprint. Guiados pelos preceitos do design sprint, os participantes decidiram juntos que o foco da sprint seria a jornada do usuário prestador de serviço. Tendo em mente as necessidades, limitações e problemas a serem resolvidos deste público, qual seria a principal função do aplicativo?

A solução encontrada pelo grupo foi criar uma funcionalidade de “check-in e check-out” com identificação por foto, ou seja, o app daria permissão para que o usuário (no caso a pessoa que solicitou um serviço) desse um OK sempre que um funcionário entrasse ou saísse de sua casa para a realização de um serviço. Esta autorização seria dada em tempo real após uma verificação junto às empresas cadastradas para confirmar a legitimidade da demanda.

Fernanda decidiu por adaptar o formato da sprint, dividindo-a em duas etapas. A parte inicial contou com o trabalho de todo o grupo e a seguinte foi realizada apenas pelos profissionais focados na construção do app. A Garimpo UX acredita que esses ajustes são importantes e que é possível ter rodadas bem produtivas mesmo com tempo reduzido. É uma alternativa para empresas que não têm tanto tempo ou cujos participantes não podem ficar imersos na atividades pelos 5 dias completo.

Nos primeiros três dias, a sprint do HelpU avançou até a conclusão do protótipo de baixa fidelidade (em papel), contemplando a função básica de check-in e check-out. Em seguida, os designers do grupo utilizaram a segunda parte da rodada para desenvolver um protótipo mais elaborado.

Ao final do processo, Mitidieri recebeu um protótipo digital navegável e de alta fidelidade, pronto para ser testado com possíveis usuários e avaliado por futuros parceiros.

O resultado da sprint: um protótipo para testes no mundo real

Qual é a importância de se ter um modelo do app para testar a ideia no mercado? Mitidieri responde sorrindo: “Já fiz muita porcaria”, brinca o empresário. “Gastei uma grana que joguei fora porque ninguém usou minha solução para nada. Se eu tivesse feito um protótipo, teria economizado”.

“Sabe aquela história de que você precisa saber explicar seu negócio durante uma conversa no elevador? Um protótipo eficiente é como essa conversa. É mais interessante do que qualquer business plan”. Mitidieri diz que a ferramenta básica desenvolvida na sprint com a Garimpo UX passa no teste de qualquer interação não guiada. “É só colocar na mão do usuário e deixar ele se virar”.

Esta possibilidade é valiosa tanto para novos empreendedores quanto para grandes empresas que estão lançando ou aprimorando um produto. Isto porque, essas considerações vão responder perguntas vitais para o negócio como: existe um público interessado nesta solução? O usuário vai querer pagar por ela? Que valor pensado está caro ou barato?

O plano do empresário é colocar o app para passear nas mãos de possíveis compradores, parceiros e profissionais. Durante os testes com os públicos, serão recolhidas opiniões. “Então entraremos no ciclo de insights e prototipagens. Vamos usar as observações para ajustar o protótipo, testar novamente, e assim por diante”, explica.

Planos para o futuro

Embora ainda esteja em um estágio de testes, o aplicativo tem um grande futuro pela frente, na visão do seu criador. “É um projeto com muito potencial para escalar”, comemora Mitidieri. O aplicativo pode crescer agregando informações de prestadores de serviços dos mais variados tipos. “Sempre temos pessoas vindo às nossas casas. O entregador de pizza, o funcionário que vem consertar a geladeira”, diz o empresário. Para ele, o app pode ser utilizado em qualquer grande cidade com problemas de segurança, dentro e fora do Brasil.

O que começou como uma sacada, pode se tornar um negócio rentável e uma solução de segurança amplamente utilizada.

E então, o design de experiência tem tudo a ver com o seu projeto? Fala com a gente! Conhece alguém que vai adorar saber mais sobre este tema? Compartilhe!

 

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