Sobre o design sprint

Oi, pessoal! Tudo bem?

Eu resolvi escrever este artigo, para compartilhar com vocês algumas experiências que eu tive aplicando rodadas de Design Sprint em empresas e startups. Antes de mais nada (gosto de deixar todos na mesma página sempre), para quem não sabe o design sprint é uma metodologia com base na abordagem do design thinking criado pela Google, para, como o nome do livro já diz, testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias.

Se você quiser se aprofundar mais sobre o assunto, eu recomendo acessar o canal do Google Venture no Youtube e assistir aos vídeos. Eles estão em inglês, mas não se preocupe se você é como eu e não tem um inglês tão bom assim, dá pra entender sem legenda, e você de quebra, dá uma praticada no inglês. 😉 Tem cursos rápidos na Udemy e também um aplicativo bem bacana com todas as etapas chamado Duco. Ele está disponível na Apple e Play store e é gratuito. Referências é o que não faltam e eu recomendo usar todas, ler o livro, fazer o curso, baixar o aplicativo, conversar com profissionais da área, etc, etc e etc. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Um time e 5 dias intensos

O método do design sprint conta com um time de 7 pessoas (ou menos) e está dividido em cinco etapas: Compreender, Divergir, Decidir, Prototipar e Validar, ou seja, segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Na segunda você mapeia o desafio e escolhe um alvo, na terça faz esboços de possíveis soluções, na quarta decide as melhores soluções e escreve o storyboard, na quinta prototipa e na sexta testa. Sem dúvida, é uma semana bem intensa!

Mas espere aí, quem é que consegue fechar a agenda de 7 participantes de uma empresa ou startup por 7 dias inteiros? Eu, particularmente nunca consegui. As pessoas nunca têm tempo, estão sempre bem loucas estudando, trabalhando, pesquisando, correndo, pensando, fazendo, criando… Ou simplesmente não consideram que 5 dias dedicados a uma rodada de sprint trará ganhos para seu produto. E convenhamos, à parte o aprendizado que todos terão sobre o trabalho e o produto, é muito melhor investir cinco dias para entender e refinar soluções do que gastar tempo e dinheiro criando algo com base nos seus próprios achismos (e eu recomendo fortemente reforçar isso com seu cliente). E sim, isso acontece muito!

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei

Como já sabemos, ninguém tem tempo. As pessoas têm uma dificuldade tremenda de fechar as agendas por uma semana, então eu comecei a encurtar as rodadas de design sprint para 3, 2 dias, já fiz rodadas de sprint que duraram 1 dia e meio e agora quero testar uma rodada no estilo workshop, sabe, 1 dia imersivo (quem vamos? rs). E o que eu concluí com isso? Que sim, é possível! Você só precisa ser ou ter um ótimo facilitador, para engajar as pessoas, porque quando estamos em grupo tendemos a papear, desviar do foco, e cá entre nós, como brasileiro fala! rs Dizem que os americanos são mais frios e nós mais friendly, talvez a cultura deles facilite a vida na hora de manter o pessoal focado. Não sei…

Um dream team para chamar de seu

No design sprint um bom time precisa ser formado por 7 pessoas (ou menos) com expertises diferentes. No livro eles até citam aquele filme 11 homens e um segredo (se você ainda não assistiu, assista, é um filme muito bom), para exemplificar que cada um dos 11 homens tem uma especialidade diferente e que, quando atuam em conjunto formam uma ótima equipe trabalhando em conjunto, é como uma espécie de engrenagem onde um colabora com o outro, para fazer as coisas funcionarem… Mas voltando ao método, é recomendado que o time seja composto por um definidor, que é a pessoa que tomará as decisões, talvez o CEO, fundadores ou gerente de produto, um especialista em finanças, outro de marketing, alguém que entenda sobre os consumidores, um especialista em tecnologia e um designer.

Ok, mas como o título desse trecho do texto diz, esse é o dream team, o time dos sonhos e na nossa realidade (ou na minha), nem toda startup ou mesmo empresa tem um especialista em cada assunto, então o que eu normalmente faço é montar um time multidisciplinar aleatório. Isso mesmo, a-le-a-tó-rio. Muitas vezes convido pessoas que nada tem a ver com a empresa em questão e muito menos estão a par do desafio da sprint. E o que eu aprendi com isso? Inúmeras coisas! Percebi que agregar pessoas aleatórias traz um ganho enorme para a sprint, porque essas pessoas não estão “viciadas” nas técnicas de design, nem de metodologias ágeis, nem nas features de um mvp, elas são as pessoas que trazem um olhar completamente de fora e fazem colocações que nós, “especialistas” em alguma coisa não percebemos e isso traz um aprendizado gigantesco para todo o time. Então não tenham medo de montar times aleatórios, arrisque sempre que puder e siga sempre aquela premissa “Ninguém sabe tudo, então vamos compartilhar o que sabemos”, sem julgamentos.

O facilitador

Eu considero que a vida de facilitador não é lá algo muito fácil não, porque ele precisa ter um super jogo de cintura, para lidar com pessoas completamente diferentes, de opiniões diversas e ter sabedoria, para manter os ânimos e equilibrar os egos, porque se isso não for feito de uma forma equilibrada, corre-se o risco de ter a sprint arruinada.

Mas, a boa notícia é que conduzir processos não é uma arte, é na verdade, uma ou melhor várias habilidades que todos nós podemos exercitar, como por exemplo humildade e escuta ativa. Os participantes precisam enxergar no facilitador uma pessoa amiga que está lá para ajudá-los e não alguém que está lá para competir com eles e isso não significa que ele não pode ser firme em alguns momentos, senão também vira bagunça e lá se foi o objetivo da sprint.

Materiais para o design sprint

Essa parte não tem muito segredo… Quem já participou de algum workshop ou oficina de design thinking, design de serviço, entre outras sabe que o material básico é o post it, muitos post its! O que me deixa sempre intrigada, porque eu penso: para onde vão todos esses post its usados? Ainda vou criar um projeto que reaproveita de alguma forma esse mar de post it. E se você que está lendo esse artigo, tem alguma ideia ou conhece alguma forma de resolver isso, me convida pra participar! Mas voltando ao foco do artigo, os materiais básicos, para realizar rodadas de sprint são: post it (muitos, muitos, muitos), quadro branco, flipchart, caneta colorida e um relógio mágico para marcar o tempo das tarefas no decorrer do sprint. Pois bem, na minha experiência, nem sempre nos encontramos no cenário ideal, com quadros brancos enormes à disposição, para escrever um monte de coisas, então o que eu faço?

Me adapto às circunstâncias, levo sempre muitas folhas de flipchart, fita crepe, os post its (é claro), canetas de todo tipo, se tiver janelas de vidro eu peço pra utilizar, colo coisas na parede, não importa o ambiente, o objetivo é desenrolar o sprint custe o que custar. E vou te dizer, as pessoas adoram esse improviso! Sinto que é uma vivência muito bacana pra elas, é literalmente sair da zona de conforto, do escritório arrumadinho, com todas as ferramentas à mão. Acho que as dificuldades nos tornam mais criativos. Agora precisamos falar sobre o relógio mágico…

O tal do relógio mágico

Como já foi dito, o tal do relógio mágico nada mais é do que um timer, um cronômetro que vai controlar o tempo das atividades do sprint. Eles dizem (os autores do livro) que serve também, para dar a ideia de urgência da sprint, mas como já sabemos, temos problema com essa questão do tempo. Percebi que controlar o tempo a todo momento, bloqueava alguns participante da sprint, eles se sentiam intimidados e não conseguiam sair muito do lugar, percebi também que marcar o tempo criava um ambiente mais competitivo do que colaborativo, então, mais uma vez eu resolvi adaptar essa questão do tempo.

Entendi que o facilitador pode (e deve), em alguns momentos deixar as pessoas mais à vontade, para desenvolverem as tarefas que precisam sem terem que se preocupar com quanto tempo falta. Elas vão se sentir mais leves e confiantes para produzir e o controle do tempo, fica totalmente sob a responsabilidade do facilitador.

Para finalizar o artigo, devo dizer que o que descrevi aqui não é regra, nem verdade absoluta. É apenas uma das formas de se conduzir uma rodada de design sprint ou oficinas e workshops. Acho que todo facilitador faz adaptações de acordo com o cenário, o ambiente, a empresa, os participantes, etc, são muitas variáveis. A intenção desse artigo é apenas compartilhar ideias e seria muito legal receber outras ideias e feedback. Então fica aqui o convite, se você tiver outras ideias, feedbacks ou qualquer coisa que queira compartilhar entra em contato comigo pelo e-mail fernanda@garimpoux.com.br

E se você gostou do post e quer apenas compartilhar (não se sinta pressionadx em ter que opinar rs), compartilha com os coleguinhas nas redes. Vlw! Flws! 😉

Fernanda de Oliveira

Designer com 12 anos de experiência em design de interfaces e comunicação visual, é graduada em Design Gráfico, com especialização em Design Estratégico pelo Instituto Europeu de Design. Trabalhou por 4 anos em projetos de inovação tecnológica no departamento de EAD do SENAI SP e atualmente é fundadora da Garimpo UX | design de experiência.