A palavra “design” acabou não ganhando uma correspondente em português, talvez, por ter múltiplos significados. Um dos muitos usos do termo é para descrever uma forma de pensar, ou uma metodologia de trabalho, o chamado “Design Thinking”.

A partir dessa ideia, outras foram pensadas, como o método de criação de soluções “Design Sprint”. Esses dois conceitos são ferramentas poderosas para agilizar projetos, potencializar resultados, ou eliminar dificuldades. Vamos ver como esses princípios funcionam na prática?

O que é Design Thinking?

“Design diz respeito a conectar intencionalmente os elementos para resolver problemas”. É o que afirmam David Butler e Linda Tischler no livro Design para Crescer. E se fazer design é resolver problemas, porque não utilizar o jeito de pensar desses profissionais para buscar soluções nos mais diferentes campos? Essa é a proposta do Design Thinking.

Para Tim Brown, “design thinking começa com as habilidades que designers têm aprendido ao longo de várias décadas na busca por estabelecer a correspondência entre necessidades humanas e os recursos técnicos disponíveis, considerando as restrições práticas”. Ele é um dos fundadores do Ideo, uma das mais respeitadas empresas de design e inovação do mundo, e autor do livro referência para a prática do “pensar como designer”. A obra, aliás, ganhou, na edição brasileira, um subtítulo provocador:  “uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias”.

Para resolver problemas, o Design Thinking combina dois elementos: o método de trabalho normalmente usado pelos designers, e a mente aberta para estudar, entender e mesclar diferentes áreas do conhecimento. É uma soma de repertório e metodologia. Ou, para Brown, um “T”. Uma encruzilhada onde podem se encontrar diversas especialidades, como, por exemplo, psicologia, ciência social e arquitetura.

Empatia, colaboração e experimentação

Essa combinação de fatores funciona com base em três pilares básicos. Empatia, colaboração e experimentação. Fernanda de Oliveira, designer e empreendedora da Garimpo UX, explica o funcionamento de cada um deles: “A empatia exercita a ideia de se colocar no lugar do usuário. A colaboração trata do trabalho a ser feito de forma colaborativa, com mentes multidisciplinares (o que enriquece muito o projeto). E a experimentação aborda a fase do protótipo, da validação, do medir e testar”.

Como o Design Thinking é aplicado no dia a dia?

Para Brown, esses três princípios permitem a discussão (e a solução) de praticamente qualquer desafio. Segundo ele, os designers “deverão começar a analisar todos os problemas – do analfabetismo de adultos até o aquecimento global – como um problema de design”. Na Garimpo UX, o Design Thinking faz parte da cultura da empresa e é intrínseca aos processos utilizados para desenvolver ou aprimorar produtos.

Em geral, os especialistas utilizam alguns destes métodos para colocar em prática os preceitos do Design Thinking:

Brainstorm com regras: a famosa “chuva de ideias”, mas seguindo um roteiro pensado para o melhor aproveitamento das propostas (Brown acredita que há momentos em que o trabalho rende mais em conjunto, e outros em que é melhor criar sozinho)

Pensamento visual: técnica utilizada para expressar ideias por meio de desenho.

Prototipagem: criação de objeto semelhante ao produto desejado para testar seus usos.

Prototipagem do intangível: simular, da melhor forma possível, o serviço ou experiência desejada para o usuário e assim avaliar seus resultados.

Representação de papéis: investigar o ponto de vista do usuário colocando-se no lugar dele em situação real ou simulada.

O que é Design Sprint?

O Design Sprint é uma técnica para desenvolver e testar ideias em apenas cinco dias. O método é baseado no Design Thinking e envolve definição de foco, prototipagem de soluções e, claro, mão na massa.

O Sprint foi criado pelo designer Jake Knapp no período em que ele trabalhava no Google. Mais tarde, ele se juntou a Braden Kowitz e John Zeratsky, que atuavam no Google Ventures, braço da companhia dedicado ao investimento em novos negócios. No livro que publicaram sobre a técnica, os autores resumem. “[Design Sprint] é como uma coletânea dos ‘maiores sucessos’ da gestão estratégica, da inovação, das ciências do comportamento, do design – tudo condensado em um passo a passo que qualquer equipe pode usar”.

Para Ellen Lupton, o sprint ajuda na hora de buscar abordagens mais criativas. “Experimente se permitir a ter menos tempo para pensar e mais tempo para agir. A técnica de sprinting serve para romper com seus hábitos, obrigando-o a criar uma solução nova em um período de tempo determinado”, diz, no livro Intuição, Ação, Criação.

Como o Design Sprint é aplicado em um projeto?

Na Garimpo UX, Fernanda já realizou rodadas de sprint para buscar soluções em empresas de diversos ramos, como segurança, alimentação, tecnologia e educação. Ela diz que a aplicação da técnica é interessante quando os recursos são limitados e o trabalho precisa ser focado para maximizar resultados. Isso porque, a empresa economiza tempo e dinheiro, aplicando esses recursos de forma objetiva para responder uma demanda ou resolver um problema específico.

Aqui ela conta algumas experiências Design Sprint em menos de 5 dias? Sim, é possível!

Apesar das vantagens, o design sprint ainda é pouco conhecido entre empreendedores. O recurso acaba sendo sugerido pelas equipes de design e desenvolvimento das empresas ou parceiras. Para colocar o método em prática, é preciso contar com a orientação de profissionais da área. São eles que vão conduzir a rodada de cinco dias de acordo com o método.

As sessões de sprinting seguem um roteiro pensado por Knapp, Kowitz e Zeratsky. O script detalha o que deve ser feito em cada dia da imersão e os resultados esperados. As ferramentas utilizadas vão de prototipagem a testes de usabilidade.

Divididas entre os dias da semana, as atividades de uma sessão de sprint seriam assim, segundo os criadores:

“Na segunda-feira, você mapeará o problema e escolherá um ponto importante em que se concentrar. Na terça-feira, vai esboçar soluções concorrentes no papel. Na quarta-feira, tomará decisões difíceis e transformará as ideias em hipóteses que possam ser testadas. Na quinta-feira, construirá um protótipo realista. E, na sexta-feira, fará um teste com humanos”.

Eles brincam que o sprint dá “um superpoder” para as empresas que o aplicam. “Elas podem se transportar para o futuro e ver o produto final e as reações dos clientes antes de fechar compromissos dispendiosos”.

Centrado no ser humano

Pensar em Design Thinking, e nos métodos que têm essa base, é pensar em ser humano. É direcionar conhecimentos e técnicas para sanar necessidades observadas com mente aberta, generosidade e compreensão.

Fernanda descreve o exercício do Design Thinking como um ato “amoroso”. Brown diz que é uma atividade “empática”. Quem enxerga o usuário como mero consumidor vai ficar para trás. Os negócios (e o mundo) pedem soluções que tenham significado real para quem as utiliza. E só é possível chegar a elas por meio da conexão e do entendimento humano.

“Empatia é o hábito mental que nos leva a pensar nas pessoas como pessoas”, diz Brown.
Design Thinking é essa ideia levada à prática.

 

E então, o design de experiência tem tudo a ver com o seu projeto? Fala com a gente! Conhece alguém que vai adorar saber mais sobre este tema? Compartilhe!

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Livro Design para crescer de David Butler e Linda Tischler 

Livro Intuição, Ação, Criação – Graphic Design Thinking de Ellen Lupton 

Livro Design Thinking de Tim Brown 

Ideo

Livro Sprint de Jake Knapp, Braden Kowitz e John Zeratsky