“Alcancei o fracasso de forma espetacular”. Assim, Ricardo Sazima, cofundador da Inova Ventures começa a contar sua trajetória. A narrativa, que ele detalha no livro A Startup Enxuta, de Eric Ries, é, na verdade uma história de muito sucesso. Para ele, a diferença entre essas duas pontas totalmente opostas está na utilização do método conhecido com MVP (sigla em inglês para “produto viável mínimo”). A técnica permite experimentar produtos, serviços ou negócios, antes de colocá-los no mercado.

O caso do fracasso espetacular de Sazima é exemplar porque não aconteceu por falta de planejamento, incompetência, ou capital insuficiente. O empreendedor cumpriu todas as etapas necessárias a um novo projeto, mas o produto não decolou. Ele explica que ter tido a oportunidade de avaliar a ideia primeiro teria feito toda diferença.

“Deveríamos ter investido mais em contato com o cliente, em experimentação e validação, em detrimento de planejamento e execução cega”, conta o empresário. “Poderíamos ter construído um MVP simples para testar se o mercado enxergava valor e compraria uma solução como a que estávamos imaginando”.

O que é MVP?

Em resumo, o MVP é um produto que não está pronto ainda para ser comercializado. Mas é bom o suficiente para que a empresa possa testar a ideia e, principalmente, aprender com a resposta do público, ajustando e melhorando a solução.

“O produto mínimo viável é aquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo construir-medir-aprender, com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento. O produto mínimo viável carece de diversos recursos (…), no entanto, criar um MVP requer trabalho pois devemos ser capazes de medir seu impacto”, explica Eric Ries.

Como definir o que é o mínimo viável?

O MVP não pode ser tão bom, caro e complexo que deixe de ser um teste (e comece a custar muito tempo e dinheiro). Ao mesmo tempo, não deve ser tão distante do produto real, correndo o risco de não fornecer feedbacks úteis do público. Então, como decidir o que realmente é o MVP?

Para Fernanda de Oliveira, designer e fundadora da Garimpo UX, essa decisão passa pela determinação de qual é a função básica da solução. É preciso focar no principal recurso do produto e desenvolver um MVP que faça apenas isso suficientemente bem para se medir a resposta do usuário. Fernanda ajuda empresas a chegarem neste ponto em workshops e rodadas de design sprint, uma metodologia criada pela Google para tirar ideias do papel, da forma mais simples e eficaz possível, em cinco dias.

“Definimos objetivos de curto e longo prazo. Chegamos em uma ou mais features que são o mínimo necessário para aquele produto ser validado ou funcionar. Pensamos no canvas do MVP e no tempo e esforço que isso vai levar para definir realmente o mínimo. O foco é sempre no mínimo”, detalha.

Por que os MVPs são úteis?

Ter um “quase” produto para ser testado antes do lançamento completo é uma forma de poupar tempo, dinheiro e energia. Para empresas iniciantes e focadas na inovação, este processo é ainda mais importante porque, muitas vezes, a solução é o negócio. Toda a operação está voltada para o desenvolvimento de um produto ao redor do qual vai girar a vida do empreendimento. Ou a morte.

Uma inovação só sai do papel se for desejável, economicamente viável e tecnicamente possível. A solução adequada está na intersecção desses três elementos e o MVP é uma forma de avaliar se há algum problema em algumas dessas áreas. São os testes prévios que vão determinar a necessidade de “pivotar ou perseverar”, diz Ries.

Ter feedbacks sólidos e testes bem conduzidos são também ferramentas de argumentação para empresas menores que precisam buscar vendas, financiamento ou patrocínio. Na falta de larga experiência ou de benchmarking, respostas do MVP podem ser usados para mostrar o potencial do novo produto.

Que perguntas o MVP responde?

Em seu livro, Eric Ries cita algumas perguntas que devem ser respondidas pelos testes com MVP:

1 – Os consumidores reconhecem que têm o problema que estamos tentando solucionar?
2 – Se houvesse uma solução, eles a comprariam?
3 – Compraria de nós?
4 – Conseguimos desenvolver uma solução para esse problema?

Essas são só algumas. Antes de colocar o MVP na rua é importante saber bem o que quer se medir e como esses feedbacks serão recebidos. O teste deve trazer o máximo de aprendizado possível sobre a função mais importante do produto. As formas de obter respostas do público são muitas e variam de acordo com as métricas. Entre as técnicas utilizadas estão a observação sem interferência, no qual o usuário interage com o produto sem qualquer orientação e o especialista observa os resultados, e as entrevistas técnicas, nas quais o consumidor responde um roteiro de perguntas sobre a experiência com o produto.

Por que “apenas” pesquisa de mercado não é suficiente?

Mas, espera um pouco. Toda empresa não faz pesquisa de mercado antes de começar um empreendimento ou lançar uma solução? Sim, é verdade. Mas o que a filosofia do MVP defende é que “só” essa avaliação não é o suficiente quando se trata de inovação.

Uma empresa voltada para respostas inovadoras (o caso de muitas startups, por exemplo) é pautada pela novidade, pela experimentação, e, por isso, ela não tem um caminho claro traçado diante de si. Assim, os métodos tradicionais não funcionam neste cenário e se torna preciso inventar novas maneiras. Já foram feitas pesquisas sobre que tipo de consumidor que compra carne moída no supermercado. Mas não há dados sobre o consumidor de uma solução que nem existe ainda.

As vantagens de ser pequeno e inovador

O que pode ser motivo de angústia é também uma grande vantagem. Não ter caminhos fixos para trilhar da às empresas inovadoras a oportunidade de serem rápidas e flexíveis na hora de mudar.

Os aprendizados com o MVP permitem decidir exatamente o que manter e o que ajustar sem que o negócio precise assumir muitos riscos. Para Ries, a visão geral da empresa geralmente vai permanecer o mesmo. O foco continuará sendo resolver um certo problema. A estratégia para atingir esse objetivo já pode ser um pouco mais maleável. Os produtos, no entanto, “mudam constantemente através do processo de otimização”.

Depois, mão na massa

Quando o assunto é inovação, a solução está na rua. Pensado por especialistas, o produto deve cair na mão dos usuários não especializados o mais rápido possível. É a troca de impressões e ideias entre o time de desenvolvimento e o consumidor que vai moldar a ideia.

“O objetivo do MVP é começar o processo de aprendizagem, não terminá-lo”, diz Ries. Depois disso, é mão na massa!

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A Startup Enxuta, de Eric Ries – buff.ly

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