Colocar uma ideia no mundo é arriscado. Custa tempo, dinheiro e credibilidade junto ao público. Resultados positivos não são garantidos. Entretanto, não existe outro jeito de se resolver problemas, começar um negócio inovador, lançar um produto ou revolucionar uma solução que já esteja no mercado. Então, como não esgotar todos os recursos neste processo? Investindo em protótipos e testes.

“Prototipar é a maneira mais segura de se arriscar”, diz Fernanda de Oliveira, designer de experiência e empreendedora da Garimpo UX.

O que é protótipo?

Quando pensamos em protótipo, a primeira imagem que vem à mente é a reprodução de um produto, só que menor e em papelão. Essa resposta não está errada, mas existem várias outras formas de se prototipar uma ideia. Mesmo que ela não seja nem um objeto físico. Até um serviço, como um atendimento ao público, ou um fluxo de informações, como transações bancárias, podem ser prototipado e avaliado antes da implementação.

Esta matéria da revista Exame explica bem o conceito de protótipo.

“Em linhas gerais, podemos dizer que um protótipo é um modelo construído para testar um produto ou um serviço. Ele é resultado das pesquisas iniciais relativas a uma ideia ou suposição e, também, uma base para que novas mudanças e implementações dessa ideia possam ser realizadas”.

Porque fazer um protótipo

A prototipagem e a inovação andam juntas. Por isso, além de ser o caminho mais seguro e econômico de se testar uma ideia, prototipar é também uma forma de aprender o máximo possível sobre o produto ou serviço. No desenvolvimento de algo inovador, não há rotas pré-determinadas então, cada aprendizado vale muito.

Marcelo Valença é designer da Rede Futurar e tem experiência com protótipos de produtos e de serviços. Para ele, alguns ainda acreditam que pular esta etapa trará a vantagem de lançar uma solução no mercado mais rápido que a concorrência. Não é bem assim.

“A prototipagem é importante, pois, na maior parte das vezes, os erros mais relevantes encontrados nesta etapa não são básicos ou técnicos, mas de estratégia”.

Não é que o eletrônico não liga, por exemplo, é que o usuário não interage com o objeto da forma desejada.

Nesses casos, a resolução do problema não passa apenas pela correção de um ou outro detalhe, mas de um ajuste na forma de pensar a solução proposta. Imagina ter que fazer esse tipo de redirecionamento com o produto já no mercado? “Remendar depois aumenta muito a chance de erros, além de desgastar a imagem da marca com o usuário”, resume Valença.

A construção de MVP ou protótipo não precisa ser demorada e dispendiosa. Veja o que escrevemos sobre esse assunto — Como o Design Sprint ajudou a testar uma solução com baixo investimento

Os tipos de protótipo

Os protótipos podem ser classificados pelo tipo e pela complexidade. A primeira forma diz respeito à natureza do serviço ou produto que será testado. A segunda, ao grau de semelhança com a versão final.

  • Protótipo de produtos físicos: são representações do objeto final feitas de material mais barato. Usados para testes de móveis, equipamentos, peças industriais, por exemplo. As dimensões destes modelos também variam de acordo com o objetivo da avaliação. Podem ser pequenos em escala ou até em tamanho real.
  • Protótipo de produtos ou serviços digitais: são versões bem simplificadas do produto ou serviço final. Podem ser, por exemplo, telas e links sem aplicação de layout, para testar se a navegação funciona. Ou conter apenas uma função, para se medir, por exemplo, a resposta do usuário àquela uma ação específica. 
  • Protótipo de serviços: são simulações de processos, atendimentos ou fluxos de clientes, entre outros. Nesta opção, são usadas, por exemplo, representações de papéis no qual os especialistas vão representar o usuário e o funcionário da empresa. Durante a “cena”, é possível testar se as soluções propostas geram os resultados esperados, se surgem dúvidas e como respondê-las.

O case de sucesso do Mc Donald’s – os fundadores prototipando as áreas da cozinha
  • Baixa fidelidade / complexidade: são baratos e mais rápidos de fazer. Um exemplo são telas de um aplicativo desenhadas em papel mesmo. Geralmente, estes são usados no início do processo, como primeiro passo para construção de um protótipo um pouco mais complexo. Mesmo nessa etapa, já dá para perceber possíveis problemas e soluções.
  • Média fidelidade / complexidade: são os modelos em escala, por exemplo. Com essas simulações, dá para testar materiais ou acabamentos. No caso de soluções digitais, são protótipos com layout e/ou navegação simplificados, que já podem ser suficientes para testar alguns aspectos da interação do usuário com a ferramenta.
  • Alta fidelidade / complexidade: podem ser os modelos em tamanho real ou os MVPs. Eles representam bem o produto final, mas, em geral têm apenas uma ou poucas funções realmente funcionando.
O que dá para testar com um protótipo?

Quanto mais for possível aprender na fase de prototipagem, melhor. Essa é a hora de investigar se a ideia funciona bem e se atende ao propósito pensado para ela.

Pensando-se na estratégia por trás da solução, os testes com protótipo devem responder perguntas como:

  • O público-alvo está correto?
  • A solução é desejada pelo usuário?
  • A forma de entregar o produto ou serviço é efetiva?

Esses aspectos devem, claro, ter sido definidos durante a elaboração do modelo de negócios. Os experimentos são o momento de validar ou ajustar tudo isso.

A avaliação técnica vai observar elementos da solução em si.

  • Funciona?
  • Quebra?
  • Trava?

No caso de um produto físico é checado, por exemplo, se o peso e o tamanho da solução estão adequados. Num teste de usabilidade, pode-se observar se o layout e a navegação da ferramenta ajudam ou confundem o usuário. Dependendo da complexidade do que está sendo estudado, é possível prototipar partes da solução e, gradualmente, se chegar às avaliações do produto ou serviço como um todo.

Para ter o máximo de sucesso com a prototipagem é preciso definir claramente o que se está medindo e quais as limitações do modelo. “Um protótipo de papel ganha muito em agilidade e preço, mas não tem a mesma performance em um teste de usabilidade, por exemplo”, comenta Fernanda. Para testar uma função específica de um aplicativo, não é preciso fazer uma simulação do app inteiro. Se a simulação vai avaliar a resposta do usuário a um tipo de acabamento, não adianta usar outro material no protótipo. O entendimento dos objetivos torna a prototipagem mais direta, eficaz e até mesmo mais econômica.

Desenhando a cabine de um caminhão para um cliente, Marcelo Valença se deparou com o desafio de ter que calcular o quanto e como seria possível ajustar o assento do motorista naquele espaço limitado. Para testar as possibilidades, o designer adotou uma solução de prototipagem simples e barata. Uma foto do caminhão foi projetada em tamanho real na parede e uma cadeira de escritório foi colocada em frente à imagem. Valença conseguiu então fazer as avaliações necessárias sem gerar praticamente nenhum custo ao projeto.

O protótipo digital

Estamos acostumados com produtos digitais. Sites, livros, vídeos chegam até nós por meio de bits e bytes. Atualmente, a tendência é que serviços também sejam digitalizados. Pelo celular, dá para pedir táxi ou comida. Dá para estudar um idioma. Dá para pagar contas. O que antes saiamos de casa para fazer pessoalmente, agora temos no bolso. Grandes empresas passaram a enfrentar “concorrentes digitais” e a disputa ficou bem mais acirrada.

A demanda é grande e a tolerância para experiências ruins é baixa. Se o app é pesado, difícil de usar ou trava, é o fim da linha. O consumidor vai buscar o que deseja em outro lugar, em poucos segundos. A Garimpo UX é especialista em experiência do usuário e acredita na prototipagem com uma das melhores formas para entender se o produto ou serviço digital se adequa a esse nível de exigência e se resolve a necessidade de quem o utiliza.

Para entender se o cliente vai adorar ou deletar um aplicativo, é importantíssimo analisar a jornada do consumidor. Ou seja, todo o caminho que ele faz desde o primeiro acesso à ferramenta até a realização completa de uma tarefa dentro dela. Ao avaliar esse trajeto, é possível evitar percalços como uma navegação complicada, uma experiência desagradável de uso, ou a desistência.

Prototipando melhorias

Produtos, serviços ou fluxos que já estejam no mercado também podem e devem passar por melhorias.

“A experiência do usuário muda. Por isso, a solução tem que ser viva, ou seja, estar sempre acompanhando essas mudanças”, diz Fernanda.

No livro Direto ao Ponto, o autor Paulo Caroli, consultor da Thoughtworks Brasil e cofundador da Agile Brazil, fala exatamente sobre a “criação evolutiva do produto”.

“O produto é construído de forma incremental com mvps sendo adicionados ao produto consolidado já existente”, explica Caroli. “A entrega contínua e incremental proporciona o aumento do valor do produto ao longo do tempo”.

No livro, o especialista detalha a metodologia lean inception (ou concepção enxuta) pensada para criar ou incrementar soluções. De forma resumida, a abordagem administra a geração de incrementos seguindo um roteiro de ações que orienta todo o processo:

  • Descrição da visão do produto
  • Priorização dos objetivos do produto
  • Descrição dos principais usuários, seu perfil e suas necessidades
  • Compreensão das principais funcionalidades da solução
  • Compreensão dos níveis de incerteza, esforço e valor de negócio de cada uma das funcionalidades da solução
  • Descrição da jornada do usuário
  • Planejamento da entrega incremental, ou seja, prototipagem e MVP
  • Estimativa de esforços para cada etapa incremental
  • Cálculos de gastos e elaboração de cronograma
Prototipando fluxos de informação

A Garimpo UX está trabalhando, no momento, em uma melhoria de um serviço digital já existente. Um grande banco contratou a empresa para aprimorar o funcionamento das opções de transações via internet. Inicialmente, a prototipagem está focada em uma destas funcionalidades: as transferências bancárias.

Fernanda explica que o fluxo dessas operações inclui diversas variáveis. As transferências podem ser por DOC ou TED, entre bancos diferentes ou não, e assim por diante. O protótipo foi feito para avaliar, entre outros elementos, se as melhorias propostas funcionavam, se o layout estava adequado, se os avisos e notificações eram claros, se o público compreendia as mudanças implementadas e se o discurso estava correto para o usuário do banco.

A designer detalha que, depois dos testes, a funcionalidade pode ser encaminhada para a área de desenvolvimento do banco com todas as validações necessárias, o que reduz as chances de erros ou retrabalho mais adiante.

O protótipo vai falhar

Seja voltado para produtos novos ou para melhorias em algo que já está no mercado, não tem jeito, normalmente, protótipos apresentam problemas. Mas está tudo bem porque essa é exatamente a serventia dele.

“O protótipo vai falhar e é bom que falhe. O objetivo é aprender com o maior número de problemas possível antes do lançamento”, diz Valença.

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A prototipagem cria um ciclo de ajustes e reavaliações que é vital para a maturação de qualquer solução. Primeiro, a ideia é lapidada. Depois ela é testada com o protótipo e gargalos são descobertos. Em seguida, a solução volta a ser refinada e testada novamente. “É como vídeo game” brinca o designer, “você morre, mas volta para um ponto um pouco atrás em segurança”.

Esse processo tem que ser feito e refeito algumas vezes até o resultado ser satisfatório. Aí a solução está pronta para ganhar o mundo.

Tenho o protótipo em mãos, e agora?

Empresas, fundos, e plataformas de vários tipos têm recursos para financiamento e estão buscando projetos inovadores para promover causas, aquecer a economia, ou lucrar junto. Veja, neste outro post, as diferentes formas de levantar capital para um novo negócio:

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Ah, e se você tem uma ideia inovadora, mas não tem protótipo ou MVP, fale com a gente! Vamos em conjunto, entender, desenhar, decidir, prototipar e testar 😉


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